Pau-de-arara
Os três significados que me ocorrem equivalem-se em ao menos um ponto. Pau-de-arara significa, originalmente, o instrumento de privação da liberdade de uma belíssima ave; em seguida, o instrumento de privação da liberdade de homens, mulheres e crianças expulsos e transportados como gado de sua terra natal; enfim, o instrumento de tortura que privou da liberdade e da própria vida homens, mulheres e crianças que ousaram resistir à opressão.
Para cada vítima, os responsáveis não são apenas os autores diretos do crime — como os colecionadores de animais silvestres, os latifundiários e os torturadores —, mas uma grande parcela da sociedade que concorda com a prática ou faz vistas grossas a ela.
O pau-de-arara como instrumento de tortura chegou a ser homenageado em 2016, na figura de Carlos Alberto Brilhante Ustra, por um deputado que, mais tarde, subiria a rampa do Palácio do Planalto com a faixa presidencial. Boa parte da população se vangloria de participar, como cúmplice, da privação da liberdade e da vida daqueles que pensam ou defendem ideias opostas às suas.
A "síndrome do pau-de-arara" que acomete boa parte da população brasileira tem causas diversas, mas causará, caso não seja tratada, a privação da liberdade e da vida de muita gente.
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